{"id":9223,"date":"2009-02-24T13:33:00","date_gmt":"2009-02-24T12:33:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blog.uclm.es\/archivoartea\/?p=9223"},"modified":"2026-03-15T13:09:50","modified_gmt":"2026-03-15T12:09:50","slug":"em-redor-do-buraco-tudo-e-beira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.uclm.es\/archivoartea\/2009\/02\/24\/em-redor-do-buraco-tudo-e-beira\/","title":{"rendered":"Em redor do buraco tudo \u00e9 beira"},"content":{"rendered":"\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Flavia Meirelles y<a href=\"https:\/\/blog.uclm.es\/archivoartea\/2005\/11\/02\/marcela-levi\/\" data-type=\"post\" data-id=\"4301\"> Marcela Levi<\/a><\/h4>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\">2009<\/h5>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\">Referencia bibliogr\u00e1fica<\/h5>\n\n\n\n<p><em>Em redor do buraco tudo \u00e9 beira<\/em>, Sesc, Rio de Janeiro, 2009.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma das linhas de for\u00e7a das performances de Marcela Levi reside no modo como torna presentes e quase tang\u00edveis os interst\u00edcios do corpo, esses buracos por onde o sentido escapa ou tende a escapar. Desde o trabalho Imagem (2002) Levi vem elaborando uma linguagem que tumultua a hierarquia entre corpo e objeto, incidindo sobre diversas dicotomias (dentro-fora, corpo-mente, ativo-passivo, afirma\u00e7\u00e3o-nega\u00e7\u00e3o) que balizam nossa percep\u00e7\u00e3o. Surge da\u00ed um corpo fugidio, arisco, teimoso, mas, ao mesmo tempo, perme\u00e1vel aos objetos com os quais ele lida, um corpo que abandona a posi\u00e7\u00e3o de totalidade e de completude e que s\u00f3 se manifesta ao se deixar transformar.<\/p>\n\n\n\n<p>LAURA ERBER<em>O: escritor franc\u00eas Francis Ponge (1899 \u2013 1988) propunha que a escrita, especialmente a do poema, fosse movida pela for\u00e7a de empuxo dos objetos. Ponge acreditava que para retirar-se da ciranda est\u00e9ril do humanismo era preciso \u201cse deixar puxar pelos objetos\u201d. Para ele, n\u00e3o se tratava mais de organizar as coisas ao nosso redor para atingir uma harmonia, mas de se deixar desarranjar por elas. Voc\u00ea criou a express\u00e3o \u201csubjetos\u201d para designar o corpo transitivo que se deixa contaminar, poderia falar sobre ele?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>MARCELA LEVI:&nbsp;<\/strong>Sim, \u00e9 exatamente isso: \u201c\u2026 se deixar puxar pelos objetos\u201d. Quando estou trabalhando, penso em me \u201csubmeter\u201d aos objetos e n\u00e3o apenas em manipul\u00e1-los, como se fossem algo sobre o qual tenho controle. Busco experiment\u00e1-los, um pouco como fazem as crian\u00e7as. Gosto muito de observar as crian\u00e7as se movendo, elas t\u00eam um estado de momento, ou seja, elas acessam um estado de aten\u00e7\u00e3o que se assemelha a certa intensidade dos animais. Diferentemente dos adultos, n\u00e3o est\u00e3o atravessadas pelas no\u00e7\u00f5es de futuro ou passado, simplesmente est\u00e3o l\u00e1, inteiramente instaladas no aqui e agora, assim como os animais, e disso surge uma presen\u00e7a completamente fascinante. Acho que as crian\u00e7as n\u00e3o \u201cfazem coisas\u201d, elas se misturam ao que fazem, elas s\u00e3o o pr\u00f3prio ato. Cada passo \u00e9 um passo e nada al\u00e9m disso, cada gesto fala do gesto em si. Nunca sei se elas est\u00e3o jogando com os brinquedos ou se s\u00e3o os brinquedos que est\u00e3o jogando com elas. \u00c9 esse tipo de experi\u00eancia que procuro ativar no meu trabalho com os objetos, uma terceira coisa que n\u00e3o \u00e9 mais nem o meu corpo nem o objeto em sua autonomia, mas sim um corpo\/objeto\/sujeito imbricados. Foi dessa pr\u00e1tica de trabalho que surgiu a palavra \u201csubjetos\u201d: objetos\/sujeitos deslocados e desfuncionalizados.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">LAURA ERBER<em>O: seu primeiro solo intitulava-se&nbsp;<\/em>Imagem<em>, e o seu trabalho, de um modo geral, parece estar cada vez mais situado nessa fronteira t\u00eanue que separa (ou liga) a performance e as artes pl\u00e1sticas. Voc\u00ea poderia falar um pouco sobre a ideia de imagem que surge nesse processo?&nbsp;<\/em><\/h3>\n\n\n\n<p><strong>MARCELA LEVI:&nbsp;<\/strong>Sim, acho que sim. Constru\u00ed a performance&nbsp;<em>Imagem&nbsp;<\/em>em colabora\u00e7\u00e3o com a fot\u00f3grafa carioca Claudia Garcia. Pensar um corpo n\u00e3o captur\u00e1vel, que se exp\u00f5e em constante reorganiza\u00e7\u00e3o, foi o nosso ponto de partida. Est\u00e1vamos interessadas em pensar a imagem como algo que n\u00e3o afirma, que n\u00e3o estabiliza. Quer\u00edamos falar de uma imagem\/corpo vazada e borrada de sensa\u00e7\u00f5es. Uma imagem precisa, mas de uma precis\u00e3o cheia de ambiguidades.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">LAURA ERBER:&nbsp;<em>H\u00e1 um humor muito particular nas suas performances que, no meu modo de perceber, al\u00e9m de ser mordaz, transmite uma forte sensa\u00e7\u00e3o de desamparo. \u00c9 um humor que sedistancia da facilidade e tamb\u00e9m da arrog\u00e2ncia que muitas vezes caracteriza a ironia, pois, no seu trabalho, n\u00e3o se trata de denunciar ou de julgar algo que seja estrangeiro ao pr\u00f3prio corpo que vai se constituindo em cena. Talvez esse humor contribua para o \u201cdesfazimento\u201d do corpo aut\u00e1rquico e aut\u00f4nomo, deixando surgir outras combina\u00e7\u00f5es de for\u00e7a entre a passividade e o excesso de est\u00edmulo (e controle), ao qual, por bem ou por mal, estamos todos submetidos. Mesmo quando seu trabalho sinaliza quest\u00f5es de um real exterior (a banaliza\u00e7\u00e3o da morte em&nbsp;<\/em>In-Organic<em>, por exemplo), \u00e9 por dentro que opera, quero dizer, n\u00e3o vejo ali uma estrat\u00e9gia para induzir o espectador a uma tomada de posi\u00e7\u00e3o imediata. E a\u00ed o humor se conecta com uma situa\u00e7\u00e3o de inacabamento e deixa tamb\u00e9m o espectador num certo desamparo, de n\u00e3o saber como reagir internamente. Mais do que um modo de criticar, esse tipo de humor cria situa\u00e7\u00f5es de crise. Como voc\u00ea v\u00ea essa rela\u00e7\u00e3o entre humor e crise no seu trabalho?<\/em><\/h3>\n\n\n\n<p><strong>MARCELA LEVI:&nbsp;<\/strong>Engra\u00e7ado, sempre achei que faltava humor no meu trabalho\u2026 mas desamparo sim, percebo bem. Acho que tem rela\u00e7\u00e3o com o fato de eu acreditar que somos seres solit\u00e1rios que se falam por uma aproxima\u00e7\u00e3o que \u00e9 feita de desvio. Mas vejo essa solid\u00e3o com muito bons olhos, acho que \u00e9 justamente essa impossibilidade de uni\u00e3o que nos possibilita desejar e falar. Quando constru\u00ed&nbsp;<em>In-organic<\/em>, estava interessada em falar, como voc\u00ea citou na sua pergunta, da banaliza\u00e7\u00e3o da morte. Mas n\u00e3o queria discursar sobre isso e nem apontar dedos pra ningu\u00e9m. Queria uma fala-esbo\u00e7o, inacabada. Pensei, ent\u00e3o, em me afundar no que eu estava falando, quero dizer, fazer daquela fala exterior algo \u00edntimo.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">LAURA ERBER:&nbsp;<em>Em&nbsp;<\/em>In-organic<em>, havia j\u00e1 algo que se intensifica no&nbsp;<\/em>Em Redor<em>\u2026, associa\u00e7\u00f5es disjuntivas que interligam os fragmentos\/momentos, sem preencher inteiramente as lacunas entre eles. Nesses buracos, o espectador pode experimentar um certo inc\u00f4modo, mas tamb\u00e9m uma possibilidade de desfazer a linearidade, o modelo de um tempo sucessivo que tende a se impor sobre a cena. Essa disjun\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 sin\u00f4nimo de \u201cfalta de unidade\u201d e sugere a possibilidade de permuta. Como voc\u00ea encara essa \u201csintaxe temporal\u201d do corpo em cena?<\/em><\/h3>\n\n\n\n<p><strong>MARCELA LEVI:&nbsp;<\/strong>A minha mat\u00e9ria de trabalho \u00e9 o corpo. Penso o corpo como uma zona estranha, amb\u00edgua e rugosa. Esse corpo faz (engendra) parte (de) uma situa\u00e7\u00e3o espec\u00edfica que se desdobra num per\u00edodo (pr\u00e9) determinado de tempo. Tento, ao articular essas situa\u00e7\u00f5es, fazer algo que Francis Bacon disse: proporcionar emo\u00e7\u00f5es sem o t\u00e9dio da comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">LAURAERBER:&nbsp;<em>De que modo o&nbsp;<\/em>Em redor do buraco tudo \u00e9 beira&nbsp;<em>se relaciona com seus projetos anteriores? Como voc\u00ea v\u00ea essa passagem do solo para um duo em que os dois corpos nunca dialogam propriamente, mas habitam o mesmo espa\u00e7o despeda\u00e7ado e manuseiam objetos convulsivos, que ao longo da performance tamb\u00e9m se desfazem e mudam de sentido?&nbsp;<\/em><\/h3>\n\n\n\n<p><strong>MARCELA LEVI:&nbsp;<\/strong>Gostei muito da ideia de \u201cespa\u00e7o despeda\u00e7ado e objetos convulsivos\u201d, \u00e9 isso mesmo! Um amigo (Volmir Cordeiro), que acompanhou os ensaios, disse que tinha a impress\u00e3o, ao ver o trabalho, de que o que ele via em cena parecia ser uma parte de algo que ele n\u00e3o via. Gosto muito dessa ideia de dar a ver um ap\u00eandice do n\u00e3o visto. O n\u00e3o visto se tornando mais corpulento do que o visto. Durante o processo de cria\u00e7\u00e3o trabalhei com o livro&nbsp;<em>A conversa infinita&nbsp;<\/em>do MauriceBlanchot. Entre muitas outras coisas desse livro que me ajudaram a pensar esse trabalho, Blanchot diz que a conversa est\u00e1 no espa\u00e7o vazio que irrompe entre uma fala e outra. Assim, acho que Flavia (Meireles) e eu dialogamos sim, quero dizer, ao n\u00e3o ocupar o mesmo espa\u00e7o f\u00edsico ao mesmo tempo, damos a ver o vazio que fala entre uma fala e outra. N\u00e3o vejo como uma passagem de solo para duo; desde que comecei a trabalhar em meus projetos, a quest\u00e3o de uma n\u00e3o unidade e de uma n\u00e3o totalidade j\u00e1 estava presente nos solos. J\u00e1 nos trabalhos anteriores percebi que estar em cena \u00e9 estar em rela\u00e7\u00e3o, portanto a entrada da Flavia em cena \u2013 pois j\u00e1 trabalhamos juntas h\u00e1 4 anos \u2013 veio como mais um passo em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 constru\u00e7\u00e3o desse \u201cespa\u00e7o despeda\u00e7ado\u201d do qual voc\u00ea falou. \u00c9 isso, trabalho pra que venham os desacordos, as arestas, os n\u00e3o encaixes e os desvios consequentes das parcerias e das conversas. Talvez essa seja a pontua\u00e7\u00e3o pol\u00edtica do meu projeto art\u00edstico, desviar, desviar inclusive de mim mesma.&nbsp;<em>Em redor do buraco tudo \u00e9 beira<\/em>, como os meus projetos anteriores, investe no sentido n\u00e3o pacificado, incompleto e transit\u00f3rio das coisas, nas coisas que emergem por entre as coisas.&nbsp;<em>Em redor<\/em>\u2026, assim como&nbsp;<em>In-organic<\/em>, fala da morte, mas da morte que aparece num corpo fren\u00e9tico (des)habitado por uma voz coletiva, impessoal, massiva e n\u00e3o reflexiva. Est\u00e3o mais uma vez presentes os objetos que, aliados ao corpo desse trabalho \u2013 o vazio \u2013, criam uma terceira coisa. Dessa vez, s\u00e3o 200 cenouras que borram, atravessam e marcam o espa\u00e7o c\u00eanico. No entanto, diferentemente de meus trabalhos anteriores, que se constru\u00edam num cont\u00ednuo desdobrado por associa\u00e7\u00f5es, quero dizer, uma coisa que d\u00e1 na outra e por associa\u00e7\u00e3o em outra e assim por diante,&nbsp;<em>Em redor<\/em>\u2026 \u00e9 feito de pequenos fragmentos aut\u00f4nomos que chamamos de&nbsp;<em>manifesta\u00e7\u00f5es curtas<\/em>. Estou interessada nos saltos, nos vazios, nos solavancos que essa estrutura pode engendrar e esse interesse est\u00e1 ligado ao tal desamparo que voc\u00ea apontou numa das suas perguntas anteriores. \u00c9 um desamparo, mas um desamparo que (bem, assim espero) deixa espa\u00e7o para o desejo, um desamparo\/convite para se deixar ir sem saber muito bem pra onde. Para ser ver prazerosamente (assim espero) \u201cido\u201d.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">LAURA ERBER:&nbsp;<em>Flavia, gostaria que voc\u00ea falasse um pouco sobre a elabora\u00e7\u00e3o da linguagem do&nbsp;<\/em>Em redor&nbsp;<em>e da pesquisa em torno dessas manifesta\u00e7\u00f5es curtas.&nbsp;<\/em><\/h3>\n\n\n\n<p><strong>FLAVIA MEIRELES:&nbsp;<\/strong>O que chamamos de manifesta\u00e7\u00f5es curtas apareceu como estrat\u00e9gia para fazer da fragmenta\u00e7\u00e3o, da descontinuidade e da interrup\u00e7\u00e3o, uma mat\u00e9ria de trabalho. Interessava nelas a rachadura no sentido que elas poderiam causar, ou antes, a beira estreita de sentido que elas poderiam carregar, seu estado provis\u00f3rio. N\u00e3o se trata aqui da fragmenta\u00e7\u00e3o entendida como parte de uma unidade ou de uma s\u00e9rie, mas sim de cada fragmento ou manifesta\u00e7\u00e3o como coisa em si, como s\u00edntese ou satura\u00e7\u00e3o de uma id\u00e9ia. Portanto, cada parte foi trabalhada autonomamente para depois ser colocada em tens\u00e3o. Para cada manifesta\u00e7\u00e3o constru\u00edmos um ritmo e tempo pr\u00f3prios que deu a ver um jogo de rela\u00e7\u00f5es. Elas lidam com excita\u00e7\u00e3o, entupimento, festejo e viol\u00eancia em constante (re)articula\u00e7\u00e3o. O que me interessa nesta proposta \u00e9 lidar com essa tens\u00e3o tal como ela se mostra, evitando resolv\u00ea-la ou apazigu\u00e1-la.<\/p>\n\n\n\n<div data-wp-interactive=\"core\/file\" class=\"wp-block-file\"><object data-wp-bind--hidden=\"!state.hasPdfPreview\" hidden class=\"wp-block-file__embed\" data=\"https:\/\/blog.uclm.es\/archivoartea\/wp-content\/uploads\/sites\/323\/2026\/02\/Meireles-Flavia-conversa-marcela-levi.pdf\" type=\"application\/pdf\" style=\"width:100%;height:600px\" aria-label=\"Incrustado de Meireles-Flavia-conversa-marcela-levi.\"><\/object><a id=\"wp-block-file--media-601e81ba-3aa2-457f-b3ae-9893829725a1\" href=\"https:\/\/blog.uclm.es\/archivoartea\/wp-content\/uploads\/sites\/323\/2026\/02\/Meireles-Flavia-conversa-marcela-levi.pdf\">Meireles-Flavia-conversa-marcela-levi<\/a><a href=\"https:\/\/blog.uclm.es\/archivoartea\/wp-content\/uploads\/sites\/323\/2026\/02\/Meireles-Flavia-conversa-marcela-levi.pdf\" class=\"wp-block-file__button wp-element-button\" download aria-describedby=\"wp-block-file--media-601e81ba-3aa2-457f-b3ae-9893829725a1\">Descarga<\/a><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Flavia Meirelles y Marcela Levi, 2009<\/p>\n","protected":false},"author":561,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[499],"tags":[349,66],"class_list":["post-9223","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-textos-cat-de-fr-pt","tag-arte-contextual","tag-danza"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blog.uclm.es\/archivoartea\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9223","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blog.uclm.es\/archivoartea\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blog.uclm.es\/archivoartea\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.uclm.es\/archivoartea\/wp-json\/wp\/v2\/users\/561"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.uclm.es\/archivoartea\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9223"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/blog.uclm.es\/archivoartea\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9223\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9366,"href":"https:\/\/blog.uclm.es\/archivoartea\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9223\/revisions\/9366"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blog.uclm.es\/archivoartea\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9223"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.uclm.es\/archivoartea\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9223"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.uclm.es\/archivoartea\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9223"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}