{"id":9062,"date":"2011-02-23T14:16:00","date_gmt":"2011-02-23T13:16:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blog.uclm.es\/archivoartea\/?p=9062"},"modified":"2026-03-15T13:09:40","modified_gmt":"2026-03-15T12:09:40","slug":"danca-e-identidade-cultural","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.uclm.es\/archivoartea\/2011\/02\/23\/danca-e-identidade-cultural\/","title":{"rendered":"Dan\u00e7a e identidade cultural"},"content":{"rendered":"\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Paulo Paixao<\/h4>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\">2011<\/h5>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\">Referencia bibliogr\u00e1fica<\/h5>\n\n\n\n<p>In\u00e9dito. Texto escrito en el marco del proyecto Autonom\u00eda y Complejidad. Metodolog\u00edas para la investigaci\u00f3n en danza contempor\u00e1nea: Brasil, Eslovenia, Espa\u00f1a, Turqu\u00eda. HAR2008-06014-C02-01\/ARTE financiado por el Ministerio de Ciencia e Innovaci\u00f3n del Gobierno de Espa\u00f1a.<\/p>\n\n\n\n<p>A fun\u00e7\u00e3o comunicativa do nacional na dan\u00e7a, no Brasil, \u00e9 exercida por muitos core\u00f3grafos desde o princ\u00edpio do s\u00e9culo XX, quando esta atividade aqui se profissionalizou. A quest\u00e3o do ser nacional at\u00e9 hoje inspira n\u00e3o somente a cria\u00e7\u00e3o de dan\u00e7a, mas a de muitas outras manifesta\u00e7\u00f5es culturais e art\u00edsticas em nosso Pa\u00eds. Este anseio, por refletir um dado car\u00e1ter que singularizaria o ser brasileiro, para al\u00e9m do campo da arte e da cultura, relaciona-se a uma s\u00e9rie de projetos pol\u00edticos e intelectuais que tangenciaram a experi\u00eancia de vida e a cultura no Brasil. Embora n\u00e3o seja muito comum pensar na fun\u00e7\u00e3o comunicativa do nacional na dan\u00e7a como um efeito ideol\u00f3gico, considero necess\u00e1rio voltar-se para diferentes projetos (intelectuais, pol\u00edticos e art\u00edsticos) de cunho ideol\u00f3gico, para melhor compreender os des\u00edgnios desta pr\u00e1tica art\u00edstica, pois tenho como hip\u00f3tese que estes projetos orientaram a constru\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria id\u00e9ia de Na\u00e7\u00e3o Brasileira. A sobreposi\u00e7\u00e3o deles \u00e9 que possibilitou a emerg\u00eancia das id\u00e9ias de Na\u00e7\u00e3o Brasileira, de Ser Nacional e de suas conseq\u00fcentes Representa\u00e7\u00f5es. A id\u00e9ia de identidade cultural no Brasil colonial serviu para os portugueses garantirem a delimita\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio por eles apropriado; para validar a instala\u00e7\u00e3o das institui\u00e7\u00f5es que normatizaram a vida na col\u00f4nia; para impor seu idioma como l\u00edngua oficial e, tamb\u00e9m, para instalar aqui seu modelo de civiliza\u00e7\u00e3o, condenando \u00e0 invisibilidade as culturas e modos de civiliza\u00e7\u00e3o locais preexistentes. Na Independ\u00eancia, tal id\u00e9ia serviu de argumento para fundamentar os discursos libert\u00e1rios; na Rep\u00fablica, para elaborar os problemas econ\u00f4micos e sociais advindos da aboli\u00e7\u00e3o da escravatura; no Estado Novo validou a exist\u00eancia do regime autorit\u00e1rio; na Era JK refletiu os efeitos de um ide\u00e1rio desenvolvimentista, e assim por diante.1\u00a0 Neste sentido, o cultivo das manifesta\u00e7\u00f5es da identidade cultural n\u00e3o caracteriza uma postura patri\u00f3tica para com o patrim\u00f4nio imaterial do Pa\u00eds, contra a assimila\u00e7\u00e3o de h\u00e1bitos estrangeiros, como \u00e9 comum se imaginar. Ele agencia a id\u00e9ia de uma suposta coletividade, onde s\u00f3 existem desigualdades, para garantir a realiza\u00e7\u00e3o de certos prop\u00f3sitos pol\u00edticos que resultam sempre em cadeias de explora\u00e7\u00e3o. As complexas rela\u00e7\u00f5es entre identidade nacional brasileira e dan\u00e7a urdidas em nosso Pa\u00eds, ao longo do \u00faltimo s\u00e9culo, constitu\u00edram o que chamo de Po\u00e9tica da Brasilidade, cole\u00e7\u00e3o de princ\u00edpios pragm\u00e1ticos que propiciaram a emerg\u00eancia, no dom\u00ednio geral da produ\u00e7\u00e3o de dan\u00e7a no Brasil, de certas dan\u00e7as particulares que corroboraram para a cren\u00e7a de que existe uma ess\u00eancia brasileira, que se manifestaria em tudo o que aqui nasce. 1 Na an\u00e1lise do cientista pol\u00edtico Renato Ortiz (1985, p. 8, 9), n\u00e3o existir uma identidade brasileira autentica e, sim, um pluralidade de identidades, constru\u00eddas por diferentes grupos sociais em diferentes momentos hist\u00f3ricos. Falar de cultura brasileira, para o autor, significa falar em rela\u00e7\u00f5es de poder, da luta ideol\u00f3gica pelo monop\u00f3lio da defini\u00e7\u00e3o pelo ser nacional na rela\u00e7\u00e3o ao Estado. \u00a0A arte, segundo Ranci\u00e8re (2005), \u00e9 uma pr\u00e1tica que participa da elabora\u00e7\u00e3o de um sens\u00edvel coletivo, constituindo-se como uma das formas de fazer pol\u00edtica, de projetar modos de sensibilidades relacionados a situa\u00e7\u00f5es e coisas da vida. Os core\u00f3grafos associados \u00e0 Po\u00e9tica da Brasilidade fazem suas pol\u00edticas, difundindo certo entendimento sobre o Ser Brasileiro, atrav\u00e9s do pensamento em forma de dan\u00e7a, de uma dan\u00e7a que conjetura no corpo o Ser Nacional. Deste modo, este tipo de dan\u00e7a pode ser entendido como uma forma de Pol\u00edtica Cidad\u00e3 do Corpo, a\u00e7\u00e3o do corpo que, quando dan\u00e7a, participa de uma elabora\u00e7\u00e3o do sens\u00edvel intervindo politicamente na coletividade.2 \u00a0Ao passo que nos estudos da cultura a cr\u00edtica \u00e0s identidades coletivas, como as identidades nacionais, ganharam e continuam a ganhar novos estudos (ORTIZ, 1994 e 2001; BAUMAN, 1991; HALL, 1992; CANCLINI, 1997; BHABHA, 1998), o mesmo n\u00e3o aconteceu com a produ\u00e7\u00e3o coreogr\u00e1fica nacional-essencialista do Brasil. A cr\u00edtica \u00e0 Po\u00e9tica da Brasilidade reduziu-se a poucos artigos dispersos em anais de col\u00f3quios, algumas confer\u00eancias e dois ou tr\u00eas artigos publicados de modo disperso. O presente trabalho tem como objetivo examinar algumas poss\u00edveis conex\u00f5es entre dan\u00e7a c\u00eanica, identidade nacional e pol\u00edtica no Brasil, o deslocamento epistemol\u00f3gico das no\u00e7\u00f5es de identidade, de corpo nacional e brasilidade para o \u00e2mbito de discuss\u00f5es contempor\u00e2neas que analisam o corpo e a cultura do ponto de vista sist\u00eamico e processual, ao inv\u00e9s de reduzi-los a produtos estereotipados, de acordo com par\u00e2metros preconcebidos e modelos de exporta\u00e7\u00e3o. N\u00e3o se trata de escrever a hist\u00f3ria dessas rela\u00e7\u00f5es ou de tra\u00e7ar uma l\u00f3gica de influ\u00eancias entre os fatos, mas de entender como alguns acontecimentos ocorridos entre os s\u00e9culos XVII e XVIII, na Europa, mudaram a experi\u00eancia de vida nesta regi\u00e3o, tamb\u00e9m atingindo outras partes do mundo. Tais mudan\u00e7as conduziram \u00e0 elabora\u00e7\u00e3o das id\u00e9ias de Na\u00e7\u00e3o e de Ser Nacional, que se manifestaram em pensamentos e a\u00e7\u00f5es nos mais diversos campos da vida humana, inclusive na arte da dan\u00e7a. Essas id\u00e9ias, por sua vez, delimitaram fronteiras geogr\u00e1ficas e culturais, que configuraram uma rela\u00e7\u00e3o de explora\u00e7\u00e3o e depend\u00eancia entre as na\u00e7\u00f5es dominantes e as demais dominadas. A id\u00e9ia de identidade cultural tornou-se um verdadeiro instrumento de poder naquela \u00e9poca e continua sendo nos dias atuais, apesar das contradi\u00e7\u00f5es que a experi\u00eancia de vida contempor\u00e2nea imp\u00f5e: fragmenta\u00e7\u00e3o das identidades por meio de fluxos migrat\u00f3rios constantes, possibilidade de conex\u00e3o global atrav\u00e9s da internet, surgimento de comunidades transnacionais como a ALCA, MERCOSUL, EU, etc. Estou ciente das dificuldades e abrang\u00eancia que tal tarefa me imp\u00f5e. A quantidade de aspectos que envolvem o problema, a dificuldade de acesso \u00e0 hist\u00f3ria das pr\u00e1ticas art\u00edsticas de 2 Participam, ainda, da presente formula\u00e7\u00e3o a id\u00e9ia que \u201ca dan\u00e7a \u00e9 o pensamento do corpo\u201d (KATZ, 2005) e tamb\u00e9m as formas de tecnologias pol\u00edticas mais gerais que constituem a id\u00e9ia de biopoder pensadas pelo fil\u00f3sofo Michel Foucault (1975, 1976). \u00a0dan\u00e7a no Brasil, seja por sua dimens\u00e3o geogr\u00e1fica, seja pela escassez de estudos, ou pela dispers\u00e3o do que j\u00e1 foi produzido, foram entraves que atingiram este estudo. Outro aspecto do desafio foi lidar com o conhecimento de \u00e1reas pouco familiares, como a Teoria Social Brasileira e a Teoria da Cultura. Por\u00e9m, a certeza da urg\u00eancia de uma reflex\u00e3o maior sobre a quest\u00e3o me impeliu a levar o trabalho adiante, assumindo suas lacunas. Para proceder ao exame aqui proposto, dividi o estudo em tr\u00eas partes. Na primeira, apresento a Po\u00e9tica da Brasilidade como um tra\u00e7o que marca a dan\u00e7a c\u00eanica no Brasil em diferentes dimens\u00f5es. Caracterizo-a a partir de aspectos que, para esta abordagem, s\u00e3o considerados fundamentais, s\u00e3o eles: a sensibilidade para com um di\u00e1rio cat\u00f3lico, proveniente de uma mem\u00f3ria catequ\u00e9tica colonial e a elabora\u00e7\u00e3o de dramaturgias que privilegiam a imagina\u00e7\u00e3o em detrimento dos fatos diretos. A caracteriza\u00e7\u00e3o destes aspectos nos fez elaborar a no\u00e7\u00e3o de Corpo Real, Moral e Fantasioso, que seria o sentido geral que o corpo que dan\u00e7a formula em sua a\u00e7\u00e3o comunicativa. Na primeira parte ainda, explico o porqu\u00ea do fen\u00f4meno estar relacionado a acontecimentos hist\u00f3ricos muito anteriores, que dizem respeito \u00e0 capitaliza\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es, implicando em no\u00e7\u00f5es como propriedade privada, concorr\u00eancia e controle produtivo sobre o corpo, formas de rela\u00e7\u00f5es desconhecidas neste continente e trazidas pelo europeu. Na segunda parte enfatizo as dimens\u00f5es mercadol\u00f3gicas que a representa\u00e7\u00e3o do nacional na dan\u00e7a foi assumindo, em diferentes estrat\u00e9gias, a partir dos anos de 1940, sendo elas a prolifera\u00e7\u00e3o dos grupos; a ocupa\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio; a circula\u00e7\u00e3o massiva de obras que articulavam a id\u00e9ia de identidade cultural; a cr\u00edtica ao imperialismo econ\u00f4mico contra uma posi\u00e7\u00e3o alienada; a realiza\u00e7\u00e3o de festivais de dan\u00e7a como pacotes ou s\u00edntese do que seria importante ser visto nas cria\u00e7\u00f5es de dan\u00e7a; o corporativismo nas pol\u00edticas de produ\u00e7\u00e3o de dan\u00e7a, que associa produ\u00e7\u00e3o de dan\u00e7a nacionalista a interesses de corpora\u00e7\u00f5es privadas. Estas estrat\u00e9gias constitu\u00edram uma malha de formas de express\u00e3o, de campos de atua\u00e7\u00f5es e de refer\u00eancias profissionais relacionadas \u00e0 fun\u00e7\u00e3o comunicativa do nacional na dan\u00e7a no Brasil. Na terceira parte procuro apresentar pr\u00e1ticas coreogr\u00e1ficas que desestabilizam o senso comum sobre identidade nacional, ressaltando os aspectos contingentes, localizados e flex\u00edveis do sujeito. Outros aspectos sobre a inconsist\u00eancia das identidades coletivas s\u00e3o exemplificados atrav\u00e9s de obras coreogr\u00e1ficas que discutem a quest\u00e3o de g\u00eaneros e etnias. Localizo esse fazer art\u00edstico dentro dos procedimentos contempor\u00e2neos de cria\u00e7\u00e3o em dan\u00e7a, ressaltando os aspectos de suas diferen\u00e7as em rela\u00e7\u00e3o aos procedimentos modernos. Chamo \u00e0 aten\u00e7\u00e3o para as contradi\u00e7\u00f5es de prop\u00f3sitos dentro do universo de criadores que se associam a pr\u00e1ticas contempor\u00e2neas de dan\u00e7a e aponto poss\u00edveis alternativas para tra\u00e7ar pol\u00edticas cidad\u00e3s de corpo que ajudem a construir rela\u00e7\u00f5es mais justas, solid\u00e1rias e n\u00e3o violentas. Ao estudo das rela\u00e7\u00f5es entre dan\u00e7a, identidade nacional e pol\u00edticas que atravessaram a Po\u00e9tica da Brasilidade, foi necess\u00e1ria a articula\u00e7\u00e3o entre a Teoria do Corpom\u00eddia (GREINER; KATZ, 2005), que elabora uma teoria da dan\u00e7a levando-se em conta seus aspectos comunicacionais, e a hist\u00f3ria da dan\u00e7a no Brasil, em especial (SUCENA, 1998; PEREIRA, 2003; \u00a0KATZ, 1994; NAVAS, 1999), as teorias pol\u00edtico-sociais do Brasil, em particular (CHAU\u00cd, 2007; ORTIZ, 2006; SCHWARTZ, 2000) e as teorias da cultura, centralmente (HALL, 2006; BAUMAN, 1999; BHABHA, 2005). A partir da teoria da dan\u00e7a e da comunica\u00e7\u00e3o, elaborou-se o modo pelo qual a Po\u00e9tica da Brasilidade veicula seus pensamentos organizados no corpo. Da hist\u00f3ria da dan\u00e7a v\u00eam os fatos que marcaram a forma\u00e7\u00e3o, replica\u00e7\u00e3o e transforma\u00e7\u00e3o de tal po\u00e9tica. Das teorias pol\u00edtico-sociais do Brasil, a natureza das campanhas em prol das identidades nacionais no Brasil. E, por \u00faltimo, das teorias da cultura, os fundamentos que p\u00f5em em quest\u00e3o a autenticidade das identidades nacionais e apontam o seu car\u00e1ter opressivo. A articula\u00e7\u00e3o entre essas \u00e1reas de conhecimento para analisar a brasilidade na dan\u00e7a \u00e9 relativamente in\u00e9dita, levando-se em conta seu aprofundamento, abrang\u00eancia e posicionamento \u00e9tico. O estudo anterior sobre este fen\u00f4meno (PEREIRA, 2003) tratou os fatos que fundaram esta pr\u00e1tica com certa identifica\u00e7\u00e3o, muito embora tenha discorrido sobre a inconsist\u00eancia das identidades nacionais. Navas (1999) trabalhou em um recorte isolado, n\u00e3o permitindo uma visualiza\u00e7\u00e3o panor\u00e2mica da dimens\u00e3o das tramas de rela\u00e7\u00f5es nascidas da fun\u00e7\u00e3o comunicativa do nacional na dan\u00e7a no Brasil. O estudo de Katz (1994) n\u00e3o focou exatamente o problema em quest\u00e3o, abordando o nacional pela dan\u00e7a de modo transversal. Sendo, talvez, o nacional a quest\u00e3o \u00e0 que a produ\u00e7\u00e3o coreogr\u00e1fica no Brasil mais se dedicou em toda a sua hist\u00f3ria, faz-se urgente um estudo mais detalhado dos distintos aspectos em tens\u00e3o: dan\u00e7a, pol\u00edtica e identidade cultural. Falar da dan\u00e7a nacionalista como um processo natural da cultura, ao contr\u00e1rio de ser uma postura \u00e9tica, \u00e9 uma contribui\u00e7\u00e3o parcial para a manuten\u00e7\u00e3o dos esquemas de explora\u00e7\u00e3o vigentes em nosso Pa\u00eds. Uma an\u00e1lise da dan\u00e7a no Brasil que n\u00e3o tenha este fato como horizonte \u00e9, no m\u00ednimo, tendenciosa. A abordagem deste trabalho, na esfera da dan\u00e7a no Brasil, se distingue dos demais estudos, primeiro, por entender que toda forma de arte \u00e9 um modo de participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica na sociedade, elaborando e difundindo certo tipo de sensibilidade. Em segundo lugar, por considerar a pol\u00edtica praticada pela dan\u00e7a, quando se trata da representa\u00e7\u00e3o do nacional, carente do conhecimento elaborado por outras disciplinas para seu melhor entendimento, uma vez que o conhecimento do campo da dan\u00e7a, isolado, n\u00e3o contempla sua complexidade. Em terceiro, por ter como est\u00edmulo a utopia da transforma\u00e7\u00e3o da ordem das coisas, e n\u00e3o a passividade de assisti-la e registr\u00e1-la de modo imparcial. Considero esta iniciativa uma contribui\u00e7\u00e3o para a problematiza\u00e7\u00e3o das pr\u00e1ticas coreogr\u00e1ficas de modo geral no Pa\u00eds, e, de modo espec\u00edfico, para aquelas cuja no\u00e7\u00e3o de brasilidade \u00e9 parte constituinte de sua fun\u00e7\u00e3o comunicativa. Desta maneira, tenho como perspectiva maior a aten\u00e7\u00e3o ao car\u00e1ter pol\u00edtico do corpo em a\u00e7\u00e3o de dan\u00e7a e, de modo particular, a a\u00e7\u00e3o daqueles que, em sua dan\u00e7a, veiculam a no\u00e7\u00e3o de brasilidade. Espero que os argumentos aqui reunidos sirvam para justificar os prop\u00f3sitos deste estudo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Paulo Paixao, 2011<\/p>\n","protected":false},"author":561,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[499],"tags":[58,360,13],"class_list":["post-9062","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-textos-cat-de-fr-pt","tag-ficcion","tag-historia-de-la-danza","tag-memoria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blog.uclm.es\/archivoartea\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9062","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blog.uclm.es\/archivoartea\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blog.uclm.es\/archivoartea\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.uclm.es\/archivoartea\/wp-json\/wp\/v2\/users\/561"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.uclm.es\/archivoartea\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9062"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/blog.uclm.es\/archivoartea\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9062\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9063,"href":"https:\/\/blog.uclm.es\/archivoartea\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9062\/revisions\/9063"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blog.uclm.es\/archivoartea\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9062"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.uclm.es\/archivoartea\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9062"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.uclm.es\/archivoartea\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9062"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}