{"id":8242,"date":"2016-02-10T13:45:00","date_gmt":"2016-02-10T12:45:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blog.uclm.es\/archivoartea\/?p=8242"},"modified":"2026-04-14T11:47:51","modified_gmt":"2026-04-14T09:47:51","slug":"entrevista-a-larissa-alberti","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.uclm.es\/archivoartea\/2016\/02\/10\/entrevista-a-larissa-alberti\/","title":{"rendered":"Entrevista a Larissa Alberti"},"content":{"rendered":"\n<h2 class=\"wp-block-heading\">dramaturga e atriz do Grupo Teatro P\u00fablico<\/h2>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Julia Guimaraes, 2016<\/h4>\n\n\n\n<p>In\u00e9dito. Entrevista realizada por Skype en Belo Horizonte, Minas Gerais, el&nbsp;26 de abril de 2016<\/p>\n\n\n\n<p><strong>1. \u00bfCu\u00e1l es la motivaci\u00f3n que os movi\u00f3 a poner en marcha el proyecto art\u00edstico? \u00bfQu\u00e9 formaci\u00f3n ten\u00edan sus integrantes, y qu\u00e9 tipo de teatro empezasteis haciendo?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O Grupo Teatro P\u00fablico surgiu a partir da montagem da habita\u00e7\u00e3o c\u00eanica Naquele Bairro Encantado (NB). Quando a montamos em 2011, n\u00e3o \u00e9ramos um coletivo, \u00e9ramos artistas que se uniram para montar um espet\u00e1culo. Inicialmente eu e a Rafaela chamamos o Rogerio Lopes para montar um espet\u00e1culo do nosso coletivo teatral , no intuito de explorar uma pesquisa sobre lendas urbanas na cidade de Belo Horizonte, com teatro de rua. A\u00ed a gente chama o Rog\u00e9rio para dirigir e ele vem com uma proposta bem diferente do que est\u00e1vamos acostumadas, que \u00e9 essa proposta de habitar o bairro Lagoinha, que est\u00e1 mais ligada a performance, a partir da pesquisa de doutorado dele sobre as rela\u00e7\u00f5es travadas com as m\u00e1scaras da Folia de Reis. A\u00ed a gente se une e fazemos o convite para outros atores. Quando a gente conclui o processo do Naquele Bairro Encantado, decidimos nos tornar um grupo, o Teatro Publico. O grupo se consolida do fim de 2011 ao in\u00edcio de 2012. A\u00ed depois de circular muito com o NB a gente resolve fazer o Saudade.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>2. Y en relaci\u00f3n con la formaci\u00f3n del grupo, \u00bftiene unos ejes comunes?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Sim, n\u00f3s todos somos atores, temos forma\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica em teatro, e talvez o eixo que nos uniu inicialmente \u00e9 essa familiaridade com a linguagem da m\u00e1scara, al\u00e9m de uma certa simpatia com propostas que levem o teatro pra rua, que desloquem o teatro do palco, do lugar convencional dele. Ent\u00e3o eu acho que essa proposta est\u00e9tica de experimentar o teatro em outros espa\u00e7os \u00e9 uma comum a todos n\u00f3s. Esses s\u00e3o os primeiros eixos que nos unem: o trabalho com a m\u00e1scara e o desejo de estar na rua.<\/strong><br><strong><br>3. \u00bfQu\u00e9 evoluci\u00f3n ha habido desde entonces hasta el momento actual? \u00bfQu\u00e9 ha motivado este desplazamiento?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Desde o momento que a gente come\u00e7a com montagem do NBE, e depois quando se solidifica como grupo, a gente amadureceu muito. Pelo pr\u00f3prio trabalho, a gente teve a possibilidade de repensar nossa atua\u00e7\u00e3o politica na cidade. E observo que temos caminhado cada vez mais para uma linguagem experimental e mais distanciada do teatro tradicional. Ent\u00e3o o projeto que a gente tem para 2016 busca ser mais experimental do que a gente foi em Saudade.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>4. Y cuando se habla de experimental, \u00bfen qu\u00e9 sentido?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No sentido de n\u00e3o ter obriga\u00e7\u00e3o de apresentar um espet\u00e1culo que seja reproduz\u00edvel. Nesse novo trabalho, a gente est\u00e1 repensando o lugar do p\u00fablico externo. Porque nos dois primeiros a gente convida o publico externo, que vai trazer o olhar de espectador, vai ver aquela experi\u00eancia nos moldes de um espet\u00e1culo. J\u00e1 neste novo trabalho, a gente gostaria de eliminar o p\u00fablico externo, gostaria de lidar s\u00f3 com o p\u00fablico que j\u00e1 est\u00e1 naquele espa\u00e7o, que j\u00e1 est\u00e1 no cotidiano.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>5. \u00bfQu\u00e9 elementos de la experiencia previa hacen que dese\u00e9is eliminar esta audiencia externa?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Desde o in\u00edcio, a gente tinha um pouco essa crise. Desde o Naquele Bairro\u2026 a gente j\u00e1 se perguntava se o que faz\u00edamos ali era algo poss\u00edvel de ser formatado e reproduzido para um p\u00fablico externo. S\u00f3 que nesse primeiro espet\u00e1culo, a gente acaba chegando num formato pass\u00edvel de ser reproduzido, embora fosse sempre complexo desloca-lo do lugar original, a gente sentia que deixava pra traz toda uma pot\u00eancia que significou o processo de cria\u00e7\u00e3o l\u00e1 no bairro Lagoinha. J\u00e1 com o Saudade, a cria\u00e7\u00e3o do espet\u00e1culo foi t\u00e3o espec\u00edfica para aquele lugar que a gente chegou \u00e0 conclus\u00e3o de que seria muito dif\u00edcil reproduzir a experi\u00eancia em outros espa\u00e7os. Por outro lado, quando a experi\u00eancia se torna o espet\u00e1culo reproduz\u00edvel, a sensa\u00e7\u00e3o \u00e9 de que os espectadores n\u00e3o se d\u00e3o conta de toda a pot\u00eancia que aquela experi\u00eancia significou em nosso per\u00edodo de viv\u00eancia no bairro. Talvez o mais importante da viv\u00eancia n\u00e3o ocorria na apresenta\u00e7\u00e3o, e sim no tempo em que os atores ficavam ali no bairro. Essa crise fica ainda mais aguda no Saudade. E da\u00ed surge a vontade de viver uma experi\u00eancia que n\u00e3o tenha um \u201cproduto final\u201d. Que o processo seja tamb\u00e9m produto, e n\u00e3o esse formato em que a gente fica ali vivendo um processo e depois formata um produto espec\u00edfico, limitado no tempo, para poder ser reproduzido. Ent\u00e3o a nossa ang\u00fastia parte da\u00ed. Temos pensado em outras formas de levar a experi\u00eancia para o p\u00fablico externo, mediada por document\u00e1rios, um material audiovisual. \u00c9 algo que queremos experimentar.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>6. Tanto en Naquele Bairro\u2026 como en Saudade una cuesti\u00f3n que me llama la atenci\u00f3n es la idea de habitar, de llevar procesos a un barrio y estar all\u00ed durante un largo tiempo, de varios meses. Me gustar\u00eda que me hablases de la importancia de la temporalidad extendida y de la relaci\u00f3n con el barrio.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em Naquele Bairro\u2026, primeiramente, quando a gente chega no Lagoinha, criamos um grande estranhamento para os moradores. (\u2026) Mas com o tempo \u00e9 que a gente vai conquistando mais a confian\u00e7a, a amizade dos moradores que estavam ali, vai criando rela\u00e7\u00f5es mais s\u00f3lidas com eles. S\u00f3 que ao mesmo tempo nossa perman\u00eancia por um per\u00edodo t\u00e3o longo (de 9 meses) sem apresentar um espet\u00e1culo, um \u201cproduto\u201d, tamb\u00e9m gerou desconfian\u00e7a nas pessoas. A gente chegou a ser investigado pela Pol\u00edcia Civil da regi\u00e3o, e acho que um dos fatores foi o tempo de perman\u00eancia, porque a gente ficou muitos meses ali sem \u2018fazer nada\u2019, n\u00e3o apresentava nenhum espet\u00e1culo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>7. Y en el barrio Saudade, \u00bfcu\u00e1les fueron las reacciones?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>L\u00e1 a gente teve uma recep\u00e7\u00e3o completamente diferente daquela que tivemos no bairro Lagoinha. Porque l\u00e1 as pessoas n\u00e3o conseguiam entender que o que faz\u00edamos era teatro, que havia um componente ficcional em nossas a\u00e7\u00f5es. Ent\u00e3o, desde a primeira apari\u00e7\u00e3o de um dos atores com a m\u00e1scara expressiva (foto 1), as pessoas n\u00e3o conseguiam identificar aquilo como teatro. (\u2026) A\u00ed quando as mulheres aparecem no bairro (foto 2), com as m\u00e1scaras das vi\u00favas \u2013 que \u00e9 outro tipo de mascaramento, mais dif\u00edcil de ser codificado \u2013 a\u00ed a situa\u00e7\u00e3o fica complexa. Um dos moradores filma essas mulheres e coloca no Facebook (foto 3). Em poucos dias, o v\u00eddeo \u00e9 compartilhado 348 vezes e surgem mais de 100 coment\u00e1rios de moradores sobre o que seriam aquelas figuras. E entre esses tantos coment\u00e1rios, apenas uns tr\u00eas se referiam \u00e0 palavra \u201cteatro\u201d. Tinha gente que falava que era \u201cmanifesta\u00e7\u00e3o\u201d, outros diziam que era \u201cv\u00e9u para proteger da dengue\u201d, uma grande maioria falava que era \u201cmacumba\u201d, \u201csatanismo\u201d, \u201cmagia negra\u201d\u2026<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"683\" height=\"1024\" data-id=\"8125\" src=\"https:\/\/blog.uclm.es\/archivoartea\/wp-content\/uploads\/sites\/323\/2026\/02\/Teatro-Publico-saudade-4-1-683x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-8125\" srcset=\"https:\/\/blog.uclm.es\/archivoartea\/wp-content\/uploads\/sites\/323\/2026\/02\/Teatro-Publico-saudade-4-1-683x1024.jpg 683w, https:\/\/blog.uclm.es\/archivoartea\/wp-content\/uploads\/sites\/323\/2026\/02\/Teatro-Publico-saudade-4-1-200x300.jpg 200w, https:\/\/blog.uclm.es\/archivoartea\/wp-content\/uploads\/sites\/323\/2026\/02\/Teatro-Publico-saudade-4-1.jpg 700w\" sizes=\"auto, (max-width: 683px) 100vw, 683px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"623\" height=\"467\" data-id=\"8243\" src=\"https:\/\/blog.uclm.es\/archivoartea\/wp-content\/uploads\/sites\/323\/2026\/02\/Guimaraes-Julia-entre-larissa-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-8243\" srcset=\"https:\/\/blog.uclm.es\/archivoartea\/wp-content\/uploads\/sites\/323\/2026\/02\/Guimaraes-Julia-entre-larissa-1.jpg 623w, https:\/\/blog.uclm.es\/archivoartea\/wp-content\/uploads\/sites\/323\/2026\/02\/Guimaraes-Julia-entre-larissa-1-300x225.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 623px) 100vw, 623px\" \/><\/figure>\n<\/figure>\n\n\n\n<p><strong>8. \u00bfY cu\u00e1les son las posibilidades de que estas reacciones tan diferentes de los residentes de un barrio y otro?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Acho que tem essa quest\u00e3o de ser um bairro com uma comunidade evang\u00e9lica muito grande \u2013 o que influencia todo esse imagin\u00e1rio sat\u00e2nico a respeito dos mascarados. Mas tamb\u00e9m \u00e9 um bairro em que as pessoas t\u00eam um contato com o teatro muito menor que Lagoinha. Uma outra coisa muito forte na hist\u00f3ria do Saudade \u00e9 que ele \u00e9 um bairro constru\u00eddo em torno do cemit\u00e9rio. Primeiro surge o cemit\u00e9rio e s\u00f3 depois surge o bairro. Ent\u00e3o, esse imagin\u00e1rio das pessoas em rela\u00e7\u00e3o ao cemit\u00e9rio \u2013 e \u00e0s almas que habitam esse cemit\u00e9rio \u2013 \u00e9 tamb\u00e9m algo forte. Ele \u00e9 muito grande, ocupa as avenidas principais do bairro. Ent\u00e3o, ali, aquelas imagens da morte fazem parte da vida daquelas pessoas, mesmo que elas n\u00e3o queiram. E me parece que isso influiu muito na recep\u00e7\u00e3o que a gente teve.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>9. \u00bfY por qu\u00e9 eleg\u00edsteis el barrio de Saudade?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Por causa do cemit\u00e9rio. Como escolhemos trabalhar com a hist\u00f3ria do Quincas Berro d\u2019\u00c1gua , a gente resolveu que espa\u00e7o onde a hist\u00f3ria ia passar tinha de ter um cemit\u00e9rio. A\u00ed fizemos uma visita t\u00e9cnica l\u00e1 e decidimos que seria ali, tanto pelo fato do cemit\u00e9rio ter uma presen\u00e7a t\u00e3o marcante no espa\u00e7o, como tamb\u00e9m por ser um bairro de muitas casas. Porque j\u00e1 tivemos a prova que nosso trabalho n\u00e3o funciona muito bem em bairros com muitos pr\u00e9dios, j\u00e1 que ele depende da rela\u00e7\u00e3o que temos com as pessoas e nesses bairros com casas a rela\u00e7\u00e3o \u00e9 facilitada. Ent\u00e3o nessa primeira visita a gente decidiu que seria ali.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>10. Al ver los dos espect\u00e1culos, me parec\u00eda que en ese barrio hubo una mayor b\u00fasqueda de di\u00e1logo con la gente del lugar, como si las acciones fuesen casi un pretexto para construir estas relaciones. En Saudade, tengo la impresi\u00f3n de que tanto los habitantes como el p\u00fablico contemplaban m\u00e1s que participaban. \u00bfRealmente ten\u00edais diferentes propuestas para el di\u00e1logo con los habitantes en estas dos obras, en la etapa de las presentaciones?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Uma coisa comum nos dois processos \u00e9 que o resultado final \u00e9 fruto de uma constru\u00e7\u00e3o di\u00e1ria. Nossas op\u00e7\u00f5es est\u00e9ticas surgem a partir do contato que os personagens t\u00eam com a rua e com os moradores. Ent\u00e3o, o tipo de rela\u00e7\u00e3o que est\u00e1 proposta no Saudade surge em fun\u00e7\u00e3o disso. Quando a gente levou as vi\u00favas mascaradas para rua, primeiro elas ficaram ilhadas no bairro, porque todos os contatos foram de repulsa, contatos agressivos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>11. \u00bfBusc\u00e1bais m\u00e1s contacto con la gente del lugar?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Num primeir\u00edssimo momento, n\u00e3o. Elas fizeram uma proposta mais contemplativa com os moradores mesmo. Por\u00e9m, logo nos primeiros dias, elas tiveram que conversar com as pessoas, porque o clima ficou muito tenso. E a\u00ed come\u00e7am a usar a conversa como pretexto para se aproximar das pessoas. A partir dessa experi\u00eancia, a gente teve essa percep\u00e7\u00e3o que o tipo de mascaramento determinou muita coisa na experi\u00eancia no bairro Saudade. A\u00ed a gente passou a lidar com essa outra possibilidade que as m\u00e1scaras das mulheres tamb\u00e9m tinham que era a possibilidade contemplativa. Em contraste, a m\u00e1scara dos b\u00eabados \u2013 que s\u00e3o as m\u00e1scaras que interagem mais, que conseguiam um dialogo maior com os moradores \u2013 eles s\u00f3 v\u00e3o entrar no fim do processo, pela proposta dramat\u00fargica do trabalho de uma fic\u00e7\u00e3o epis\u00f3dica. Ent\u00e3o eles n\u00e3o v\u00e3o possibilitar aquela rela\u00e7\u00e3o com os moradores como a gente teve no Bairro Encantado, com as m\u00e1scaras expressivas desde o in\u00edcio, com o estreitamento da rela\u00e7\u00e3o entre a gente e os moradores.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"400\" height=\"226\" src=\"https:\/\/blog.uclm.es\/archivoartea\/wp-content\/uploads\/sites\/323\/2026\/02\/Guimaraes-Julia-entre-larissa-3-400x226-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-8244\" srcset=\"https:\/\/blog.uclm.es\/archivoartea\/wp-content\/uploads\/sites\/323\/2026\/02\/Guimaraes-Julia-entre-larissa-3-400x226-1.jpg 400w, https:\/\/blog.uclm.es\/archivoartea\/wp-content\/uploads\/sites\/323\/2026\/02\/Guimaraes-Julia-entre-larissa-3-400x226-1-300x170.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>12. Y hablando de esta estructura epis\u00f3dica de ficci\u00f3n, se construye una dramaturgia que tiene lugar en la duraci\u00f3n del tiempo real, en el per\u00edodo en que estaban en el barrio. Cada semana, propon\u00edais nuevas acciones y situaciones de ficci\u00f3n a la vecindad, casi como um tipo de lenguaje. Me gustar\u00eda entender c\u00f3mo surge el lenguaje de ese proceso dramat\u00fargico y qu\u00e9 tipo de di\u00e1logo se gener\u00f3 con los vecinos.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Uma grande diferen\u00e7a da dramaturgia do Naquele Bairro Encantado pro Saudade \u00e9 que no primeiro espet\u00e1culo a gente n\u00e3o chega no bairro com nada pronto. No Lagoinha, a gente construiu do zero. No Saudade n\u00e3o. L\u00e1 a gente tem a inten\u00e7\u00e3o de contar uma historia. A dramaturgia do Naquele Bairro Encantado foi surgindo do conv\u00edvio com os moradores, completamente a partir da\u00ed. E no Saudade a gente chega com o objetivo de contar uma hist\u00f3ria, de fazer com que aquele bairro vivenciasse uma narrativa, que \u00e9 a hist\u00f3ria de um morto que sumiu. Ent\u00e3o, pra fazer com que bairro vivenciasse essa hist\u00f3ria, a gente resolveu fazer com que fosse contada em fragmentos, em epis\u00f3dios . E ach\u00e1vamos que as pessoas iam entender o car\u00e1ter ficcional contido na proposta, mas no in\u00edcio eles levaram a s\u00e9rio a ideia de que havia um corpo desaparecido. S\u00f3 depois de alguns meses \u00e9 que os moradores do bairro entendem a fic\u00e7\u00e3o e passam a jogar com isso. Eles come\u00e7am a fantasiar, uns falam que viram o personagem morto no baile funk, outras falam que o viram na igreja. A partir do universo de cada um, os moradores v\u00e3o criando hist\u00f3rias. E era muito interessante acompanhar essa fase. Isso num momento em que a fic\u00e7\u00e3o j\u00e1 estava estabelecida, que j\u00e1 entendiam que era teatro.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>13. Cuando propon\u00edais esa ficci\u00f3n epis\u00f3dica, \u00bfqu\u00e9 quer\u00edas provocar en los residentes de esta historia, de este drama, de esta experiencia?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Uma coisa que interessava muito \u00e0 gente era ver como aquele bairro, que era constru\u00eddo a partir dos ritos de morte, dialogava com essa hist\u00f3ria sobre a morte. Com essa hist\u00f3ria t\u00e3o peculiar, de um corpo que some. Ent\u00e3o interessava muito pra gente ver como a gente ia atingir o imagin\u00e1rio daquelas pessoas atrav\u00e9s daquela proposta.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>14. \u00bfPodr\u00edais citar algunas referencias art\u00edsticas y\/o te\u00f3ricas que os hayan servido de interlocutores en vuestros \u00faltimos trabajos, o que os hayan servido al menos para pensar esos proyectos?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>S\u00e3o muitas refer\u00eancias. No Bairro Encantado esse pensamento mais est\u00e9tico-te\u00f3rico vem muito da pesquisa do diretor Rog\u00e9rio Lopes, da Folia de Reis , vem de uma experi\u00eancia do Eberth Guimar\u00e3es tamb\u00e9m com trabalhos de teatro baseados na improvisa\u00e7\u00e3o, na experi\u00eancia dele como m\u00fasico. No Saudade, a gente trabalhou muito com a ideia de jogo, a gente explorou isso inclusive teoricamente, lemos o livro Homo Ludens, de Johann Huizinga, pensando teatro como jogo. A gente leu tamb\u00e9m Charles Baudelaire \u2013 Um L\u00edrico no Auge do Capitalismo, quando Walter Benjamin fala do flaneur, que alimentou nossas caminhadas. E trabalhei muito com fontes populares para construir a dramaturgia dos personagens.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>15. \u00bfOs consider\u00e1is parte de alg\u00fan movimiento, generaci\u00f3n o tendencia que defina una nueva orientaci\u00f3n dentro del campo de la creaci\u00f3n esc\u00e9nica? O dicho al rev\u00e9s, \u00bfos consider\u00e1is en conflicto o al margen de alguna corriente o tipo de teatro que os sirva para definiros en oposici\u00f3n a ella?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o me sinto, para ser sincera, t\u00e3o pr\u00f3xima do tipo de teatro que est\u00e1 sendo desenvolvido atualmente em Belo Horizonte. N\u00e3o digo em rela\u00e7\u00e3o ao grupo, mas pessoalmente prefiro dialogar com um movimento mais amplo. Hoje me interessa mais fazer oficina de ocupa\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o p\u00fablico por outras linguagens do que uma oficina de voz no teatro. Talvez eu me sinta mais identificada a um movimento que n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 do teatro. \u00c9 o movimento de uma gera\u00e7\u00e3o que est\u00e1 repensando a cidade. E que usa a arte como ferramenta para repensar essa cidade, para de reocupar politicamente essa cidade. N\u00e3o estou t\u00e3o por dentro do que est\u00e1 sendo produzido de teatro de Belo Horizonte no momento. Ent\u00e3o me interessa mais essa discuss\u00e3o pol\u00edtica: como posso usar o teatro para ter uma viv\u00eancia diferente da cidade, uma viv\u00eancia criativa.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>16. E me parece que \u00e9 essa a dimens\u00e3o pol\u00edtica que aparece nos dois trabalhos de voc\u00eas\u2026<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Sim, acho que esse repensar a cidade \u00e9 uma dimens\u00e3o muito consciente para todos n\u00f3s. Agora o que posso te falar em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s correntes do teatro \u00e9 que fizemos uma reuni\u00e3o no in\u00edcio do ano e apenas um integrante do grupo falou que tinha interesse em fazer teatro de palco. N\u00f3s perdemos completamente o tes\u00e3o de atuar em outros contextos. Porque a viv\u00eancia que a gente teve com esses trabalhos \u00e9 muito diferente da viv\u00eancia do teatro tradicional, em que o p\u00fablico vai ali para contemplar somente, que fica ali assistindo alguma coisa em um tempo determinado, que tem um recorte, essa diferencia\u00e7\u00e3o n\u00edtida entre ator e espectador. Ent\u00e3o, acho que esses processos que a gente viveu \u2013 processos de integra\u00e7\u00e3o da arte na vida \u2013 s\u00e3o processos com os quais a gente se identifica com muita clareza. A gente n\u00e3o tem tanto interesse nesse teatro somente representativo e, nesse sentido, a gente dialoga muito com a performance tamb\u00e9m.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>17. Antes de participar en estos proyectos, \u00bfhab\u00edais frecuentado los barrios de Lagoinha y Saudade?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o frequentava nenhum dos dois antes dos espet\u00e1culos. E a percep\u00e7\u00e3o que a gente tem em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 cidade, ela se altera drasticamente. A experi\u00eancia que tive como atriz no Lagoinha foi uma experi\u00eancia que n\u00e3o tive como moradora do bairro que morei a vida inteira. Porque o tempo que a gente estava ali era um tempo de viver aquele espa\u00e7o, de olhar para ele de uma forma sens\u00edvel, ent\u00e3o a cidade ali n\u00e3o era pra gente s\u00f3 um lugar de passagem, um lugar ffuncional. A cidade num processo como esse \u00e9 material de cria\u00e7\u00e3o. No processo em que vivi no Lagoinha, tive oportunidade de passar uma tarde inteira olhando a vista do cemit\u00e9rio. A gente estava ali para \u201cfazer nada\u201d, estava ali para viver. Para ter uma experi\u00eancia de conv\u00edvio com as pessoas, de contempla\u00e7\u00e3o com aquele espa\u00e7o, uma experi\u00eancia que definitivamente a gente n\u00e3o tem na cidade, dessa forma t\u00e3o intensa.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>18. \u00bfQu\u00e9 v\u00edas de producci\u00f3n utiliz\u00e1is? \u00bfCu\u00e1nto dinero ha costado aproximadamente el \u00faltimo proyecto de creaci\u00f3n que hab\u00e9is realizado? \u00bfHa habido alg\u00fan tipo de evoluci\u00f3n desde vuestros primeros espect\u00e1culos en la forma de financiarlos?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A gente financiou os dois espet\u00e1culos pela Lei Municipal de Incentivo \u00e0 Cultura, por meio do Fundo de Projetos Culturais , que ocorre por meio de repasse direto da verba. Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 nossa remunera\u00e7\u00e3o como ator, n\u00e3o teve evolu\u00e7\u00e3o, o que \u00e9 uma dificuldade, porque a gente vive esses processos longos que n\u00e3o pagam nossa m\u00e3o-de-obra, ou pagam apenas parte dela, mas um valor muito aqu\u00e9m, o que \u00e9 um problema.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>19. En vuestro caso, cu\u00e1l es la motivaci\u00f3n para llevar el teatro a otros lugares. \u00bfCre\u00e9is que el inter\u00e9s actual por ir nuevamente a la calle es igual al que hubo en otras \u00e9pocas o tiene alg\u00fan componente distinto?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Quando a gente montou Naquele Bairro Encantado est\u00e1vamos tristes com pr\u00f3prio lugar que o teatro ocupa na nossa sociedade. Esse investimento de dinheiro e de esfor\u00e7o para montar um espet\u00e1culo e quando entra em uma temporada, na plateia tem 10, 15 pessoas. Ent\u00e3o, esse lugar de desprestigio completo foi algo que motivou a gente a ir pra rua. E nesse momento que a gente vive, principalmente no contexto das cidades brasileiras, em que qualidade de vida \u00e9 cada vez pior, em que lidamos com problemas de todas as ordens, como nas cidades grandes do Brasil, o teatro significa uma outra forma de viver nessas cidades, uma forma l\u00fadica, mais criativa, uma forma ut\u00f3pica mesmo, mas uma utopia que a gente j\u00e1 est\u00e1 colocando em pr\u00e1tica. Como morador de grandes cidades, a gente sofre com muitos problemas, \u00e9 muito agredido, oprimido, por tudo que elas representam. Ent\u00e3o esse desejo vem tamb\u00e9m de um sonho de encontrar uma outra cidade dentro dessa cidade, uma cidade em que as rela\u00e7\u00f5es sejam diferentes. E acho que o teatro e a arte s\u00e3o ferramentas pra gente alcan\u00e7ar essas utopias.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>20. \u00bfPodr\u00edais compartir alguna pr\u00e1ctica\/m\u00e9todo que hay\u00e1is utilizado en el desarrollo de vuestros \u00faltimos proyectos?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Nosso principal m\u00e9todo \u00e9 a pr\u00e9-disposi\u00e7\u00e3o para o conv\u00edvio humano. Voc\u00ea precisa estar com as pessoas de fato querendo construir um di\u00e1logo ou algum tipo de rela\u00e7\u00e3o com elas. E isso \u00e9 muito mais importante do que qualquer t\u00e9cnica nesse tipo de teatro. \u00c9 preciso ter uma disponibilidade muito grande para relacionar com pessoas. Por isso a experi\u00eancia da rua traz uma carga de alteridade muito forte, s\u00e3o espa\u00e7os em que lidamos com todos os tipos de pessoas poss\u00edveis. Porque tanto tem a pessoa que te abra\u00e7a e enxerga em voc\u00ea a vovozinha, que tem um carinho muito forte desde a primeira intera\u00e7\u00e3o, como tem os caras que te violentam verbalmente, que te amea\u00e7am. Ent\u00e3o, conseguir lidar com toda essa mat\u00e9ria \u00e9 algo bem dif\u00edcil.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Documentos relacionados<\/h4>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\">Obras<\/h5>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><a href=\"https:\/\/blog.uclm.es\/archivoartea\/2014\/02\/10\/saudade\/\" data-type=\"post\" data-id=\"8245\">Saudade<\/a>, 2014<\/li>\n\n\n\n<li><a href=\"https:\/\/blog.uclm.es\/archivoartea\/2011\/02\/09\/naquele-bairro-encantado\/\" data-type=\"post\" data-id=\"8119\">Naquele Bairro Encantado<\/a>, 2011<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>dramaturga e atriz do Grupo Teatro P\u00fablico.<br \/>\nJulia Guimaraes, 2016<\/p>\n","protected":false},"author":561,"featured_media":8125,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[21],"tags":[172],"class_list":["post-8242","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-textos-es","tag-esfera-publica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blog.uclm.es\/archivoartea\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8242","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blog.uclm.es\/archivoartea\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blog.uclm.es\/archivoartea\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.uclm.es\/archivoartea\/wp-json\/wp\/v2\/users\/561"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.uclm.es\/archivoartea\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8242"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/blog.uclm.es\/archivoartea\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8242\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":12509,"href":"https:\/\/blog.uclm.es\/archivoartea\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8242\/revisions\/12509"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.uclm.es\/archivoartea\/wp-json\/wp\/v2\/media\/8125"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blog.uclm.es\/archivoartea\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8242"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.uclm.es\/archivoartea\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8242"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.uclm.es\/archivoartea\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8242"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}